Esse Blog fala sobre os encontros que acontecem nas nossas vidas e porque,
mesmo banais, eles podem nos levar à uma cascata de eventos fenomenais.
Agora nesse terceiro conto eu vou explicar para vocês porque a Lisa e a Caroline são
personagens super importantes para o desenrolar dessa história.
Eu
tenho dois amigos que decidiram abrir um Hostel em Barão Geraldo,
onde fica a cidade universitária. De vez em quando eu faço turnos
na recepção e durante o mês de julho do ano em que nossa história
começa, o Hostel estava absolutamente lotado, então trabalhei quase
o mês inteiro lá.
O
Hostel, assim como deve ser, tem uma atmosfera muito acolhedora e por
isso os funcionários, mesmo quando estão de folga, gostam de ficar
por lá. Um dia resolvi passar por lá fora do horário e a
recepcionista de plantão me chamou para tomar uma cerveja com uns
hóspedes no fim do turno dela. Foi assim que eu conheci a Lisa.
Ela
tinha acabado de chegar de viagem e estava complemente atordoada com
o fuso horário entre Munique e Campinas, mas não recusou a cerveja.
A gente poderia ter tomado aquela cerveja e nunca mais ter se falado,
porque caminhos cruzam e descruzam o tempo todo, mesmo em Barão
Geraldo. Mas no dia seguinte eu precisei ir ao banco e da fila do
caixa eletrônico escutei uma voz feminina lutando para entender o
inglês de um dos funcionários. A cidade universitária tem muitos
estrangeiros, mas dentre todos eles, era a Lisa. Problemas de
estrangeiros com saque internacional à parte, ela me contou que já
tinha achado uma república e com quarto individual! Suprassumo de
vida em república é poder ter um quarto individual, e muito mais
por aquele preço. Ela ficaria no Hostel Chaplins apenas mais um dia
e eu trabalharia na recepção pela tarde, então combinamos de adiar
a despedida.
A
gente nunca se despediu exatamente. Continuamos saindo juntas
praticamente toda semana e nos encontrávamos na feirinha da
universidade sempre depois da minha aula de francês e da aula dela
de português. Foi assim que eu conheci Caroline, que também fazia
português e tinha acabado de chegar de Montpellier.
Em
uma dessas noite abafadas de Barão Geraldo logo antes de começar o
verão, combinamos de ir em um bar, pedir umas cervejas bem geladas e
ouvir algum cover
de
uma banda aleatória que estivesse na programação. Antes que eu
chegasse lá, recebi uma mensagem dela dizendo que tinha convidado um
amigo do curso de português e perguntando se tinha problema. Nessa
época ela ainda não tinha entendido que pra brasileiro todo mundo é
bem-vindo.
Na
verdade eram dois amigos, mas o segundo foi chamado de última hora.
Uma mensagem de um menino tinha chegado no grupo de português
perguntando se alguém queria fazer alguma coisa naquela noite, então
ela disse que ele podia nos encontrar se quisesse. Queria dizer para
vocês que o tempo entre o convite da Lisa e a chegada dele ao bar
foram exatos 15 minutos, enquanto que o primeiro amigo dela da
história ainda estava “pensando” se ia. Como vocês já sabem
que Yan era o tipo de amigo que topava tudo, mesmo sendo de última
hora, acho que já sabem que ele era o segundo amigo.
O
tópico da noite foi basicamente Política e Educação, algo bem
pesado para conversar com duas pessoas que eu tinha acabado de
conhecer, mas a sintonia de todo mundo era tão grande que ficamos 5
horas sentados naquela mesa sem nem perceber que o bar já estava
quase fechando. Por sinal, o primeiro amigo chegou eventualmente.
Esse
conto serve para ajudar a deixar claro quantos desencontros poderiam
ter acontecido, mas não aconteceram, apenas para que esse encontro
acontecesse: os meninos decidiram abrir o Hostel, Lisa decidiu fazer
intercâmbio no Brasil, Yan decidiu fazer o doutorado no Brasil, eu
comecei a trabalhar no Hostel, Lisa decidiu ficar no Hostel para
procurar república e nós nos tornamos amigas, Yan, recém chegado
e sem conhecer ninguém, se arriscou perguntando se alguém queria
sair NAQUELA noite e Lisa disse “sim”. E foi assim que a gente se
conheceu.
Desenho: Alex Noriega (www.snotm.com)

Nenhum comentário:
Postar um comentário